Ficha técnica de sushi: o que é e como montar a sua do zero
- 8 de mai.
- 4 min de leitura
Atualizado: 11 de mai.

Se você trabalha com sushi ou está começando a estruturar seu negócio, em algum momento vai se deparar com uma pergunta que parece simples mas trava muita gente: quanto custa, de verdade, cada peça que eu vendo?
A resposta está na ficha técnica. E se você ainda não tem uma, está tomando decisões de precificação no escuro.
O que é uma ficha técnica de sushi
A ficha técnica é um documento que registra, de forma precisa, tudo que entra na produção de cada peça ou preparação: ingredientes, quantidades, peso bruto, peso líquido após preparo, custo unitário e custo total.
Ela não é burocracia. É a base para você saber o menor preço que pode cobrar sem prejuízo, quanto desperdiça por quilo de peixe, e onde estão os furos na sua operação.
Sem ficha técnica, o que acontece na prática é isso: o peixe subiu de preço, você não ajustou o cardápio, e passou três meses vendendo com margem negativa sem perceber.
Por que a maioria dos sushimans não tem ficha técnica
Porque a lógica de quem começa é: "eu sei quanto gasto por rodada". E sabe mesmo, na cabeça. O problema é que essa conta mental não considera:
Fator de correção do peixe — você compra 1 kg de salmão inteiro, mas depois de limpar, retirar espinha e aparar sobra quanto? Em média, 55% a 65% dependendo da espécie e do fornecedor.
Perdas de arroz — o arroz absorve água e aumenta de volume, mas parte gruda na panela, parte no handai. Quanto rende de shari por quilo de arroz cru?
Ingredientes de apoio — alga nori, cream cheese, molho tare, gergelim. Parecem custos pequenos, mas num rodízio com 200 peças, se somam.
Variação de fornecedor — você troca o vinagre de arroz por um mais barato e o custo do shari muda. Se não tem ficha atualizada, não percebe o impacto.
O que precisa ter em uma ficha técnica de sushi
Uma ficha técnica funcional tem, no mínimo, esses campos para cada preparação:
Identificação
Nome da peça ou preparação
Rendimento (quantidade de peças por receita)
Ingredientes
Nome do ingrediente
Quantidade bruta (o que você compra)
Fator de correção (o que sobra após limpeza/preparo)
Quantidade líquida (o que de fato vai na peça)
Custo por kg/unidade
Custo proporcional na peça
Resultado
Custo total por peça
Custo total por porção ou bandeja
Preço de venda sugerido (com a margem que você definiu)
Margem real em %
Como calcular o fator de correção do peixe
O fator de correção (FC) é o número que mostra quanto do ingrediente bruto você realmente aproveita. A fórmula é:
FC = Peso líquido ÷ Peso bruto
Exemplo prático com salmão:
Você compra 1 kg de salmão (peso bruto)
Após limpeza e filagem, obtém 620 g (peso líquido)
FC = 0,620 / 1,000 = 0,62
Isso significa que para cada quilo de salmão comprado, você aproveita 62%. Os outros 38% são espinha, pele e aparas.
Para calcular o custo real do ingrediente líquido:
Custo por kg líquido = Preço de compra ÷ FC
Suponha que o salmão custe R$ X/kg no seu fornecedor. O cálculo fica: R$ X ÷ 0,62 = custo real por kg aproveitável.
Esse é o número que deve entrar na ficha técnica, não o preço de compra. Quem usa o preço de compra está subestimando o custo real.
Exemplo de ficha técnica: uramaki de salmão (8 peças)
Os valores abaixo são apenas ilustrativos. O preço dos ingredientes varia bastante dependendo da sua região, do seu fornecedor e do volume que você compra. O que importa aqui é entender a estrutura do cálculo — os números você preenche com os seus.
Para cada ingrediente (salmão, arroz shari, alga nori, cream cheese, gergelim), você vai registrar: quantidade bruta, fator de correção, quantidade líquida e o custo proporcional na receita. O custo por peça é o total da receita dividido por 8.
Esse número vai ser diferente para cada sushiman. Um profissional em São Paulo comprando salmão de atacadista tem um custo bem diferente de quem opera em cidade menor comprando em menor volume. Por isso a ficha técnica precisa ser sua, com os seus números — não dá para copiar de alguém.
Como montar a sua ficha técnica na prática
Passo 1 — Escolha as 5 peças mais vendidas
Comece com o que você já vende. Não tente mapear o cardápio inteiro de uma vez.
Passo 2 — Pese tudo
Use uma balança de precisão. Pese o ingrediente antes e depois do preparo para calcular seu FC real, não um número de referência da internet.
Passo 3 — Levante os preços atuais dos seus fornecedores
Data importa. Uma ficha com preços de seis meses atrás não serve. Revise sempre que houver reajuste. E lembre: o mesmo ingrediente pode custar o dobro dependendo de onde e quanto você compra.
Passo 4 — Monte a planilha
Pode ser Excel, Google Sheets ou qualquer planilha. O importante é que seja editável e atualizada com frequência.
Passo 5 — Calcule e revise o cardápio
Com a ficha pronta, compare o custo real de cada peça com o preço que você cobra. Você provavelmente vai se surpreender com algumas peças.
Com que frequência atualizar a ficha técnica
O mercado de pescados tem variação de preço mensal em alguns períodos do ano. A regra prática:
Todo início de mês: confira os preços dos ingredientes principais (salmão, atum, camarão)
A cada troca de fornecedor: refaça o FC, pois o aproveitamento muda
A cada reajuste de cardápio: atualize antes de imprimir o novo cardápio, não depois
Ficha técnica resolve, mas não é suficiente
A ficha técnica cuida do custo de ingredientes. Para precificar corretamente um negócio de sushi, você ainda precisa incluir:
Custo de mão de obra por peça
Rateio de custos fixos (aluguel, energia, embalagem)
Impostos e taxas de plataforma (se vende por delivery)
Margem de lucro desejada
Esses cálculos, junto com modelos prontos de ficha técnica para os principais tipos de sushi, estão no Guia de Ficha Técnica e Precificação para Sushimans, disponível em breve na loja do Guia do Sushi.
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